domingo, 26 de abril de 2009

Meningite em crianças - tratamento


O tratamento deve ser iniciado logo após a punção lombar, com antibioticoterapia venosa.

Nos maiores de 2 anos, usam-se as cefalosporinas de terceira geração ceftriaxona (100mg/kg/d dividido em 2 doses) e cefotaxima (300mg/kg/d divididos em 4 doses). A alternativa é o uso da associação cloranfenicol (100mg/kd/d divididos em 4 doses - é uma das poucas indicações desse medicamento atualmente) e ampicilina (400mg/kg/d em 4 doses).
Se a cepa for resistente à essas cefalosporinas no antibiograma: associá-las com a vancomicina (60mg/kg/d). Nos EUA, a vancomicina é droga de primeira escolha no tratamento empírico, em associação com as cefalosporinas de 3a geração. Porém, a realidade de resistência bacteriana é diferente.

Nos recém-nascidos e menores que 2 anos, a primeira escolha também é o uso de cefalosporinas de terceira geração, especialmente a cefotaxima, de eliminação completamente renal. A ceftriaxona possui contra-indicação relativa, já que pode causar lama biliar por precipitação de ceftriaxonato de cálcio - ocorre em 20-40% dos pacientes entre o 2o e o 22o dia de tratamento - sua regressão pode ocorrer em até 60 dias após o término da medicação e, na maioria das vezes, apresenta-se de forma assintomática. Nunca foi descrito na literatura a ocorrência de kernicterus em razão dessa precipitação.
A cefotaxima tem boa indicação nas meningoencefalites causadas por meningococo, hemófilo, pneumococo e enterobactérias, bem como em abscessos cerebrais causados por esses organismos. Tem pequena atividade contra listeria e estreptococos do grupo B - nesses situações, é vantajosa sua associação com a ampicilina (200mg/kg/d).
A associação ampicilina com aminoglicosídeo (gentamicina ou amicacina) também pode ser eficaz, mas é segunda escolha.

Uso de corticóide para preveção de sequelas neurológicas

A decisão sobre o uso de dexametasona deve ser individualizada, paciente a paciente. O Comitê de Doenças Infeciosas da Academia Americana de Pediatria afirma que pode haver benefício em meningites por Haemophilus influenzae do tipo B, se dada antes ou conjuntamente com a primeira dose do antibiótico, mas que, provavelmente, não há benefício se dada após 1h do início da antibioticoterapia (Evidência Grau 1A). Também recomenda considerar a terapia em crianças maiores de 6 semanas com meningite por pneumococo após análise de risco/benefício.
O regime utilizado deve ser: 0,15mg/kg/dose a cada 6 horas por 2 a 4 dias.




2 comentários:

  1. Oi, Pedro! E eu procurando esse mneumônico no google...olha só onde eu vim parar!!!rs Muito bacana seu blog...deve estar falatando tempo pra atualizar agora, né? Como foi o período pós enfermaria? A vida melhorou?

    Ju (R1 Clínica)

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  2. Eai Ju! Brigado! Ta faltando tempo mesmo! A vida nem melhorou! A UTI chegou chutando a porta e deixando um pacote de plantões..
    E vc? Ta em qual rodízio?

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