domingo, 3 de fevereiro de 2013

Critérios diagnósticos para doença de Vogt-Koyanagi-Harada

A doença de Vogt-Koyanagi-Harada é uma síndrome granulomatosa crônica, geralmente com envolvimento ocular e meníngeo, sendo uma das muitas causas conhecidas de uveítes associadas a manifestações neurológicas. O seu diagnóstico diferencial inclui várias doenças, como infecções (fúngicas, micobacterianas, sífilis etc.), neoplasias (p.ex. linfoma), ou outras doenças granulomatosas, como a sarcoidose.

Sabe-se que sua fisiopatologia está relacionada a auto-imunidade de células T, contra antígenos dos melanócitos, da úvea, do sistema nervoso central (meninges) e do ouvido interno.

Seguem aqui os critérios em outra tradução livre não revisada, feita pelo autor que vos escreve.

domingo, 30 de setembro de 2012

Critérios diagnósticos para Demência por corpos de Lewy (DCL)

Segue mais uma postagem de uma tradução livre para português de um critério diagnóstico de uma doença neurológica muito importante, especialmente no contexto do envelhecimento da população mundial, a demência por corpos de Lewy. A referência original, do periódico Neurology, se encontra abaixo das tabelas, porém, infelizmente, não é de acesso livre.







sábado, 15 de setembro de 2012

Doença de Parkinson idiopática. Critérios diagnósticos do Banco de Cérebros de Londres (Queen Square Brain Bank).

Redijo, abaixo, uma tradução livre dos clássicos critérios diagnósticos da doença de Parkinson idiopática, conforme o estudo anatomo-patológico do Banco de Cérebros da Sociedade de Doença de Parkinson do Reino Unido, atualmente chamado de Banco de Cérebros Queen Square.

Para o artigo original, favor se direcionar ao link abaixo da tabela.




Para quem se interessar, há uma referência de uma força tarefa da Movement Disorders Society, com uma avaliação crítica, baseada em evidências, avaliando a acurácia dos critérios diagnósticos para a doença de Parkinson e outras síndromes parkinsonianas. Sugiro, portanto, a leitura deste artigo:


A versão original do critério também está publicada em inúmeros sites na internet, incluindo o do NIH e da National Parkinson Foundation.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Síndrome da Pessoa Rígida (Stiff-Person Syndrome). Critérios Diagnósticos de Dalakas.

A Síndrome da Pessoa Rígida, descrita em 1956 por Moersch & Woltman, é uma desordem imuno-mediada do sistema nervoso central, que é caracterizada por uma rigidez progressiva do tronco e dos músculos proximais dos membros, associada a espasmos dolorosos superpostos, com sensibilidade aumentada a estímulos externos (o chamado fenômeno startle).

No exame neurológico, é característica a postura fixa de hiperlordose, devido a co-contração contínua de músculos abdominais e paraespinhais (que pode ser evidenciada também na eletroneuromiografia); o aumento do tônus muscular nos membros inferiores; a marcha cautelosa, de base larga e lenta; e a preservação das funções cognitivas, cerebelares, sensitivas e esfincterianas, diferenciando-a de um quadro de mielopatia ou de acometimento bifrontal. Chama atenção também a presença de alterações autonômicas paroxísticas acompanhando os espasmos, como taquicardia e diaforese.

Tem associação com altos níveis de pelo menos um dos seguintes auto-anticorpos: anti-GAD65, anti-fifisina, anti-gefirina e anti-GABARAP (proteína associada ao receptor GABA-A); e a identificação desses é muito importante para o diagnóstico. Associa-se também, com outras doenças auto-imunes, como o diabetes tipo 1, as tireoidopatias de Graves e Hashimoto, a anemia perniciosa e o vitiligo. Além disso, pode se apresentar como uma síndrome paraneoplásica.

Fisiopatologicamente, relaciona-se com uma diminuição da função do principal neurotransmissor inibitório, o GABA. Seu tratamento pode ser feito com benzodiazepínicos, baclofeno ou com algumas drogas anti-epilépticas (como valproato e levetiracertam) ou, nos casos refratários, com terapia imunológica, por meio de imunoglobulina humana endovenosa em altas doses, plasmaférese ou com o uso de anticorpo monoclonal anti-CD20 (rituximab).

A seguir, segue uma tabela com os critérios diagnósticos propostos por Dalakas em 2009.


Para maiores informações, sugiro a leitura das referências abaixo (infelizmente, a maioria não é de artigos de livre acesso).






quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Critérios diagnósticos de Esclerose Múltipla. Revisão 2010 dos critérios de McDonald.

Como primeira postagem da série sobre critérios diagnósticos, posto a última revisão (publicada em fevereiro do ano passado) dos Critérios de McDonald para Esclerose Múltipla (2010). Houve importantes mudanças de definição nos critérios, com o objetivo de facilitar um diagnóstico mais precoce, porém com a mesma sensibilidade e especificidade que os critérios anteriores.
O artigo que dá suporte ao critério foi publicado na Annals of Neurology e é citado abaixo.

A tradução aqui publicada é livre, feita pelo autor, e não representa posição oficial de nenhuma entidade, e pode conter inconsistências relacionadas a interpretação. Tem o objetivo somente de divulgação científica, para chamar a atenção de neurologistas para o tema, e não deve ser usada com propósitos diagnósticos. Para tanto, solicita-se que se use a tabela original publicada no artigo e o guia oficial de diretrizes de tratamento da Academia Brasileira de Neurologia.

Artigo original:


Polman, C. H., S. C. Reingold, et al. (2011). "Diagnostic criteria for multiple sclerosis: 2010 revisions to the McDonald criteria." Ann Neurol 69(2): 292-302.











quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Série sobre critérios diagnósticos

Tentaremos, nos próximos posts do blog, manter uma interação maior com o que se considera o uso da boa prática médica, que é o uso de critérios específicos para o diagnóstico das doenças seja mais preciso, menos equívoco.
Desse forma, buscarei fazer uma compilação do que houver de mais recente em termos de critérios diagnósticos em doenças que tenham grande importância clínica para o neurologista.
Espero que essas publicações tenham utilidade prática como um guia.
Sempre que possível, será citado, como fonte, o artigo original que motivou a publicação e a adoção dos critérios, em cada doença que porventura venha a ser listada.

Iniciaremos, no próximo post, com os critérios diagnóstico de McDonald para a Esclerose Múltipla, conforme revisão feita por painel de especialistas em 2010, publicada em 2011.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

XXV Congresso Brasileiro de Neurologia - Goiânia, 2012


Participei, durante os últimos 5 dias, do maior evento nacional da neurologia, o XXV Congresso Brasileiro de Neurologia, que tomou forma no Centro de Convenções de Goiânia, entre os dias 4 e 8 de agosto de 2012, e que, acredito, contou com a participação de cerca de 3 mil pessoas, segundo informação não oficial.
Gostaria de parabenizar a Academia Brasileira de Neurologia pela grandiosidade do evento. Houve uma seleção bastante apropriada de temas para educação médica continuada e atualização sobre as últimas pesquisas em cada área de atuação do neurologista.





domingo, 31 de julho de 2011

Cefaléia em salvas - tratamento agudo e profilático

Publicada na Headache deste ano, esta revisão aborda as evidências mais recentes sobre tal intensa cefaléia, que tem sintomas trigêmino autonômicos, em suas formas episódica (com ataques circanuais) e crônica. Fala sobre os triptanos e o oxigênio inalatório como tratamento padrão da fase aguda e da predominância dos bloqueadores de canal de cálcio (especialmente o verapamil) no tratamento profilático. Versa ainda sobre o uso de anticonvulsivantes (topiramato, acido valproico e gabapentina) e lítio para este propósito.
A terapia de transição da crise aguda com corticoesteróides também é abordada.
Em resumo, é um artigo muito interessante, recente e completo sobre o assunto. Também um must-read para neurologistas.




Hemorragia lobar e angiopatia amilóide cerebral - critérios de Boston e achados de imagem

A angiopatia amilóide cerebral é uma causa de hemorragia lobar em indivíduos idosos geralmente pouco reconhecida na prática clínica. Acontece devido a deposição de proteína beta-amilóide nos vasos corticais, subcorticais ou leptomeníngeos. O diagnóstico in vivo ainda é uma grande desafio. Para aumentar o conhecimento sobre o assunto, sugiro a leitura de dois artigos: o primeiro, da Radiographics, sobre o diagnóstico por imagem, e o segundo, da Neurological sciences, com aspectos clínicos e de fisiopatologia.



Critérios de Boston para Angiopatia amilóide cerebral (AAC)

Diretrizes de manejo da hemorragia subaracnóidea aneurismática (HSA) - Stroke / American Heart association

Leitura obrigatória para todos os neurologistas e neurocirurgiões. Reúne as evidências sobre o uso de tratamento cirúrgico e endovascular, a prevenção e tratamento do vasoespasmo, detecção e tratamento de hidrocefalia, crises convulsivas, hiponatremia, e o papel das novas terapias propostas ate o momento, como o uso de sulfato de magnésio, antagonistas de endotelina, estatinas, hipotermia, corticoesteróides, antifibrinolíticos e, até mesmo, trombolíticos intratecais.