segunda-feira, 31 de agosto de 2009

SRIS, Sepse, Sepse grave e choque séptico - definicões

Tais definições foram criadas em 1992 em um painel de consenso entre o American College of Chest Physicians (ACCP) e a Society of Critical Care Medicine.
Síndrome da Resposta Inflamatória Sistêmica:
é a consequência de um desequilíbrio na resposta inflamatória do hospedeiro. É reconhecida clinicamente como presença de 2 ou mais dos seguintes:
1) Temperatura maior que 38,5 graus C ou menor que 35,0 graus C
2) Frequência cardíaca maior que 90 bpm
3) Frequência respiratória maior que 20 irpm ou PaCO2 menor que 32 mmHg;
4) Contagem de leucócitos maior que 12.000céls/mm3 ou menor que 4.000 céls/mm3 ou contagem relativa de células imaturas (bastões) maior que 10% do total de leucócitos;
Pode ser resultante de diversas condições, como doenças auto-imunes, pancreatite, vasculite, TEP, cirurgias, queimaduras;
Sepse:
Presença dos sinais clínicos de SRIS associados a infecção confirmada por cultura/Gram ou fortemente presumida (por inspeção visual)

As definições seguintes foram revisadas em 2001 na International Sepsis Definition Conference.


Sepse Grave
Presença de sepse e pelo menos um dos seguintes sinais de hipoperfusão ou disfunção tecidual:
* Área de pele mosqueada;
* Enchimento capilar em 3 segundos ou mais;
* Débito urinário menor que 0,5 mL/kg por pelo menos uma hora, ou terapia de substituição renal;
* Lactato maior que 2 mmol/L;
* Mudança súbita de estado mental;
* Achados anormais no eletroencefalograma (EEG);
* Contagem de plaquetas menor que 100.000 céls/mL;
* Coagulação intravascular disseminada;
* Lesão pulmonar aguda ou síndrome do desconforto respiratório agudo;
* Disfunção cardíaca, mostrada em ecocardiograma ou medida direta do débito cardíaco;


Choque séptico:
Sepse grave associada a uma ou ambas das seguintes condições:
1) Pressão arterial sistêmica média menor que 60 mmHg (ou menor que 80 mmHg se o paciente é portador conhecido de hipertensão arterial sistêmica prévia)
2) A manutenção da PAM maior que 60 mmHg (ou maior que 80 mmHg, se há história de HAS prévia) requer dopamina em dose maior que 5 mcg/kg/min, norepinefrina em dose menor que 0,25 mcg/kg/min ou epinefrina em dose menor que 0,25 mcg/kg/min, apesar de reposição volêmica adequada*.
É importante lembrar que o choque séptico é um tipo de choque distributivo associado a vasodilatação, resultado de uma redução importate da resistência vascular sistêmica, frequentemente associada a aumento do débito cardíaco.
Choque séptico refratário:
Definido como estado séptico em que a manutenção da PAM em níveis maiores que 60 mmHg (ou que 80 mmHg, se HAS prévia) requer a administração de dopamina em dose maior que 15 mcg/kg/min, norepinefrina em dose maior que 0,25 mcg/kgmin ou epinefrina em dose maior que 0,25 mcg/kg/min, apesar de reposição volêmica adequada.

* Reposição volêmica adequada: infusão de 20 a 30 mL/kg de colóide, infusão de 40-60 mL/kg de cristalóide ou pressão de oclusão capilar pulmonar de 12 a 20 mmHg.

Para mais informações:

Levy MM et al. 2001 SCCM/ESICM/ACCP/ATS/SIS International Sepsis Definitions Conference. Intensive Care Med 2003;29:530-538.

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