domingo, 9 de agosto de 2009

Bloqueios atrioventriculares

Bloqueio atrioventricular de 1o. grau

Intervalo PR prolongado, mas com todos os batimentos sendo conduzidos até os ventrículos.

- PR maior que 200 ms com frequência cardíaca maior que 60 bpm;
- PR maior que 220 ms, se frequência cardíaca menor que 60 bpm;
- Podem existir BAV's de 1o grau com intervalo PR maior que 300 ms;

Etiologia: aumento do tônus vagal, isquemia miocárdica, degeneração senil do sistema de condução, drogas (digoxina, beta-bloqueadores, diltiazem, verapamil), infecção, endocardite (abscesso de raiz aórtica);

Prognóstico: geralmente é uma condiçao benigna. Na ausência de patologia cardíaca ou sintomas, não tem qualquer significado clínico e não requer tratamento.

Bloqueio atrioventricular de 2o. grau:

Falha intermitente na condução AV. Nem todo P é seguido de QRS no traçado eletrocardiográfico.

- A nomenclatura se baseia na razão de batimentos conduzidos e bloqueado (Ex.: Bloqueio 1:1, 2:1, variável).
- Bloqueio de alto grau: são aqueles em que o bloqueio AV persiste com mais de duas despolarizações atriais.
- pode se associar a um ritmo ventriculofásico
- o intervalo P-P é maior que o intervalo P-QRS-P, devido a variações do controle neurohumoral;

Mobitz tipo I:

Prolongamento progressivo do intervalo PR, com encurtamento do intervalo RR, até que um complexo QRS seja bloqueado (com prolongamento recíproco do intervalo RP) - fenômeno de Weckenbach
- O intervalo PR seguinte ao QRS bloqueado é mais curto;

Acontece devido ao boqueio no nível no nódulo AV:
- Relaciona-se a aumento no tônus vagal com condução e períodos refratários variáveis

Etiologia: aumento no tônus vagal (geralmente acompanhado de pausas sinusais), degeneração senil do sistema de condução, drogas (digitais, beta-bloqueadores, verapamil, diltiazem), infarto da parede inferior do miocárdio, miocardite, febre reumática;

Prognóstico: raramente progride para Mobitz II ou BAVT;

Mobitz tipo II (Hay):

- Condução do tipo "tudo ou nada".
- Intervalo PR estável e intervalo RP com um QRS eventualmente bloqueado, de maneira regular (ex.: bloqueio 2:1) ou irregular.
- Comumente relacionado a bloqueio no nível do sistema His-Purkinje;

Etiologia: degeneração senil do sistema de condução, infarto da parede antero-septal do miocárdio.

Prognóstico: risco de desenvolvimento súbito de síncope ou BAVT.

Bloqueio atrioventricular do tipo 2:1

É difícil de definir se o bloqueio 2:1 representa um bloqueio Mobitz tipo I ou II subjacente;
- Tipo I é sugerido pelo achado de complexo QRS estreito e intervalo PR variável, e geralmente melhora com atropina e com exercício;
- Tipo II é sugerido pela presença de complexo QRS largo, e geralmente piora com o exercício e com a ativação simpática.
- Tal piora significa que há um maior número de ondas P sem condução recíproca para os ventrículos.

Bloqueio atriventricular de 3o grau ou total (BAVT):

Dissociação atrioventricular completa: falência de condução AV com completa independência entre átrios e ventrículos;
- As ondas P não são conduzidas e nunca produzem um complexo QRS.
- É possível ver um aumento compensatório no ritmo sinusal, secundário ao ritmo ventricular lento;
- O Ritmo de escape é um ritmo juncional (40-60 bpm) ou ventricular (30-58 bpm);

Etiologia: infarto do miocárdio (parede inferior, com isquemia no nodo AV ou parede anterior, com isquemia das fibras de His-Purkinje), febre reumática, degeneração senil do sistema de condução, drogas (digoxina, beta-bloqueadores, diltiazem, verapamil), infecção, endocardite (abscesso de raiz aórtica), miocardite, congênito (lúpus neonatal, com transferência transplacentária de anticorpos anti-Ro/SSA da mãe)

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