segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Síndrome de Lynch - diagnóstico


A síndrome de Lynch é a mais comum das síndromes herdadas de suscetibilidade aumentada a cancer de cólon. Também pode ser chamada de cancer colorretal hereditário não polipóide (HNPCC).
Aqueles com síndrome de Lynch com tumores extracolônicos eram, anteriormente, chamados de síndrome de Lynch tipo II, porém essa nomenclatura não mais é usada.
É um distúrbio de herança autossômica dominante, com mutação em um de vários genes de reparo de DNA (sistema MMR - "mismatch repair"), sendo considerado responsável por até 3% de todos os cânceres colônicos. Sua assinatura genética é a instabilidade microssatélite, ou seja, a expansão ou contração de pequenas sequências repetitivas de DNA, consequente à mutação no sistema MMR).
Sua característica básica é o aumento da susceptibilidade a câncer colorretal e de endométrio, além de um risco aumentado (porém menor) de vários outras neoplasias associadas, como de ovário, trato urinário superior, gástrico, de intestino delgado, bilio-pancreático, cutâneo (adenomas sebáceos, carcinomas e ceratoacantomas) e SNC.
O risco descrito de desenvolvimento de câncer colorretal no portador dessa síndrome é de 70% durante toda a vida, com relatos que variam de 25 a 75%. Acredita-se que, nesses pacientes, a seqüência adenoma-carcinoma se desenvolva de forma muito mais rápida.

Critérios diagnósticos

Critérios de Amsterdan (Revistos pelo Colaboração Internacional sobre o HNPCC)

1) Ao menos 3 parentes com um câncer associado ao HNPCC (colorretal, endométrio, intestino delgado, ureter ou pelve renal);
2) Um dos familiares deve ter relação de primeiro grau com os outros dois;
3) Ao menos 2 gerações sucessivas devem ser acometidas;
4) Ao menos 1 dos casos com o diagnóstico antes dos 50 anos;
5) Polipose adenomatosa familiar deve ser excluída nos casos confirmados de câncer colorretal;
6) Os tumores devem ser avaliados por exame anatomo-patológico;

Critérios de Bethesda para procura de instabilidade microssatélite em tumores colorretais

1) Câncer colorretal diagnosticado em pacientes ocm menos de 50 anos;
2) Presença de tumor metacrônico/sincrônico colorretal ou de outro tumor associado ao HNPCC (colorretal, endometrial, gástrico, ovariano, pancreático, ureter e pelve renal, trato biliar, e SNC - geralmente glioblastomas, adenoma de glândula sebácea, ceratoacantomas, ntestino delgado), independentemente da idade;
3) Câncer colorretal com histologia associada a alta presença de instabilidade microssatélite (2 ou mais critérios do NCI - infiltração linfocítica tumoral, reação linfocítica Crohn-like, diferenciação mucinosa ou em anel de sinete ou padrão de crescimento medular) em paciente com menos de 60 anos;
4) Câncer colorretal em paciente com um ou mais parentes de primeiro grau com tumor associada ao HNPCC (vide lista acima), sendo um deles com o diagnóstico antes dos 50 anos de idade;
5) Câncer colorretal em paciente com 2 ou mais parentes de primeiro ou segundo grau com tumores associados ao HNPCC, independentemente da idade.

Síndromes específicas

Variante de Muir-Torre: síndrome de Lynch associada a tumores sebáceos, ceratoacantomas cutâneos e carcinomas viscerais
Variante de Turcot: síndrome de Lynch + tumor cerebral (geralmente glioma) - o termo síndrome de Turcot também é usado para indivíduos com polipose adenomatosa familiar e tumor cerebral.

Sugestão de leitura:

Um comentário:

  1. o estudo da instabilidade de microsatelites oferece um subsidio para o entendimento do
    prognóstico do CCR, bem assim mediante os cri
    terios mais ou menos restritivos empregados.

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