sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Precisamos do córtex visual primário para a visão consciente? Síndrome de Riddoch

Os pesquisadores Dominic H. ffytche e Semir Zeki estudam, no paper citado abaixo, casos de pacientes com lesão no córtex visual primário, hemianópticos ao exame clínico e campimetria, que, ao serem testados com testes mais acurados, persistem com a habilidade de discriminar a presença de estímulos visuais se movimentando rapidamente nesses hemicampos "cegos". São os pacientes G.Y. (o primeiro a ser estudado, desde 1998), G.N., F.B. e C.G.. No paper são mostradas as campimetrias, confrontadas com as imagens por ressonância magnética e a performance em testes de psicofísica, sendo caracterizada a presença da síndrome de Riddoch em todos eles.
A síndrome de Riddoch se caracteriza, portanto, por persistência da simples percepção de movimento no campo visual anóptico, sem a capacidade de determinar qualquer outro atributo do estímulo ou objeto que se move e foi descrita pela primeira vez em 1917. Os nome "neurológicos" a que se referem estes sintomas são: (1) gnosopsia, ou seja, a consciência de ter visto algo; (2) gnosanopsia, ou seja, a consciência de que algo aconteceu no campo visual, sem ser capaz de descrevê-lo; e (3) agnosopsia, que é a capacidade de discriminar corretamente sem manifestação da consciência de fazê-lo.
Interessante, não? A existência dessa síndrome tem um significado fundamental, conforme proposto pelos autores: que o córtex visual primário (V1) não é fundamental para a percepção consciente da visão.


Ffytche DH, & Zeki S (2011). The primary visual cortex, and feedback to it, are not necessary for conscious vision. Brain : a journal of neurology, 134 (Pt 1), 247-57 PMID: 21097490

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