terça-feira, 28 de junho de 2022
Comprometimento Cognitivo Leve na Doença de Parkinson
Transtornos do Movimento: quais são os principais?
Demência com corpos de Lewy: critérios diagnósticos do Quarto consórcio internacional
- Cognição flutuante com variações pronunciadas na atenção e no nível de alerta;
- Alucinações visuais recorrentes, tipicamente bem formadas e detalhadas;
- Transtorno comportamental do sono REM, que deve preceder o declínio cognitivo;
- Um ou mais sintomas cardinais de parkinsonismo espontâneo: bradicinesia, tremor de repouso ou rigidez.
- Sensibilidade importante a agentes antipsicóticos,
- instabilidade postural,
- quedas repetitivas,
- síncopes ou outros episódios transitórios de irresponsividade,
- disfunção autonômica grave (por exemplo, constipação, hipotensão ortostática, incontinência urinária),
- hipersônia,
- hiposmia,
- alucinações em outras modalidades sensoriais,
- delírios sistemáticos,
- apatia,
- ansiedade,
- depressão.
- Redução na captação de radiotraçadores de transportador de dopamina nos núcleos da base demonstrada por SPECT ou PET;
- Cintilografia miocárdica com 123I-MIBG anormal (baixa captação);
- Confirmação polissonográfica de sono REM sem atonia.
- Relativa preservação das estruturas do lobo temporal medial na CT ou na RM
- Baixa perfusão ou baixo metabolismo generalizado no PET/SPECT com redução da atividade do lobo occipital com ou sem o sinal da ilha cingular no FDG-PET;
- Atividade eletroencefalográfica lenta proeminente na região posterior com flutuações periódicas na faixa pré-alfa/teta.
- 2 ou mais critérios centrais com ou sem os biomarcadores indicativos;
- Somente um critério central está presente, mas há um ou mais biomarcadores indicativos;
- Apenas 1 característica clínica central, sem evidente de biomarcador indicativo; ou
- Um ou mais biomarcadores indicativos estiver presente mas não houver critérios clínicos centrais
- Na presença de outra doença física ou cerebral, como doença cerebrovascular, em intensidade suficiente para justificar o quadro clínico em parte ou totalmente; apesar de isso não excluir a possibilidade de DCL, serve para indicar haver múltiplas patologias contribuindo para a apresentação clínica ou
- Se os sinais parkinsonisanos forem a única característica clínica central e aparecerem pela primeira vez em um estágio demencial severo.
Referências
McKeith IG, Boeve BF, Dickson DW, et al. Diagnosis and management of dementia with Lewy bodies: Fourth consensus report of the DLB Consortium. Neurology. 2017;89(1): 88-100
McKeith IG, Dickson DW, Lowe J, et al. Diagnosis and management of dementia with Lewy bodies: third report of the DLB Consortium. Neurology. 2005;65(12): 1863-72
Jellinger KA, Korczyn AD. Are dementia with Lewy bodies and Parkinson's disease dementia the same disease?. BMC Med. 2018;16(1): 34 Published March 6, 2018. doi:10.1186/s12916-018-1016-8
Variantes da Síndrome de Guillain-Barré (SGB)
Polineuropatia desmielinizante inflamatória aguda (PIDA, AIDP em inglês)
PIDA é a forma mais comum no ocidente (90%) Tipicamente apresenta-se com fraqueza muscular progressiva e bastante simétrica acompanhada por hipo-arreflexia.
Neuropatia axonal motora aguda (NAMA, AMAN em inglês)
Trata-se de forma axonal aguda de SGB, reconhecida inicialmente em 1986. A maioria dos casos é precedida por infecção por Campylobacter jejuni. É mais comum na Ásia, em jovens, e respeita certa sazonalidade, sendo mais comum no verão.
Nessa variante, os nervos sensitivos não são afetados, e pode haver preservação de reflexos. Na ENMG, as amplitudes motoras distais são baixas inicialmente, mas podem aumentar rapidamente com a recuperação da função; refletindo provável falha de condução reversível, possivelmente no terminal motor ou nodo de Ranvier.
Neuropatia axonal motora e sensorial aguda (NAMSA, AMSAN em inglês)
AMSAN é uma forma mais grave de SGB, em que há envolvimento tanto de fibras sensoriais quanto motoras, com degeneração axonal acentuada. Geralmente há uma recuperação tardia e incompleta.
Síndrome de Miller Fisher (SMF)
A apresentação típica da SMF é a oftalmoplegia com ataxia e arreflexia. É comum a associação com anticorpos anti-gangliosídeos GQ1b (80-90% dos casos). ENMG mostra respostas sensoriais reduzidas ou ausentes, sem redução das velocidades de condução sensoriais. Há formas clínicas com apresentação incompleta, com oftalmoplegia sem ataxia e com neuropatia atáxica sensorial sem olftalmoplegia.
Encefalite de Bickerstaff
Trata-se de uma encefalite do tronco encefálico caracterizada por encefalopatia e hiperreflexia somasa a características da SMF, como oftalmoplegia e ataxia. Faz parte do espectro da síndrome anti-GQ1b.
Paralisia faringo-cervico-braquial
A variante faríngo-cervico-braquial da SGB é caracterizada por fraqueza aguda dos músculos orofaríngeos, do pescoço e ombro somadas a disfagia. Acredita-se de seja uma forma axonal localizada de SGB.
Variante paraparética
Variante leve de SGB em que a fraqueza é restrita aos membros inferiores. A maior parte dos pacientes com esta variante tem hiporreflexia e anormalidades de condução também nos membros superiores.
SÍNDROME ISQUÊMICAS CEREBRAIS DEFINIDAS POR TERRITÓRIO VASCULAR - ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL
1. Informações fundamentais (conceitos)
Acidente vascular cerebral(AVC)
O AVC é classicamente caracterizado como um déficit neurológico atribuído a uma lesão focal aguda do sistema nervoso central (SNC) por uma causa vascular, incluindo infarto cerebral, hemorragia intracerebral (HIC) e hemorragia subaracnóidea (HSA), e é uma das principais causas de incapacidade e morte em todo o mundo.
Definição de infarto do SNC: O infarto do SNC é a morte de células cerebrais, da medula espinhal ou retinianas atribuível à isquemia, com base em:
(1) evidência patológica, de imagem ou outra evidência objetiva de lesão isquêmica focal cerebral, medular ou retiniana em uma distribuição vascular definida; ou
(2). evidência clínica de lesão isquêmica focal cerebral, da medula espinhal ou da retina com base em sintomas que persistem ≥24 horas ou até a morte e outras etiologias excluídas.
Definição de acidente vascular cerebral isquêmico: um episódio de disfunção neurológica causada por infarto cerebral, espinhal ou retinal focal.
Essas definições foram propostas pela American Heart Association e American Stroke Association em 2013, no seguinte artigo:
Sacco RL, Kasner SE, Broderick JP, et al. An updated definition of stroke for the 21st century: a statement for healthcare professionals from the American Heart Association/American Stroke Association [published correction appears in Stroke. 2019 Aug;50(8):e239]. Stroke. 2013;44(7):2064-2089. doi:10.1161/STR.0b013e318296aeca
O Quadro abaixo resume os principais achados clínicos por território vascular infartado, e serve de guia para determinação da investigação.
| Território vascular | Sintomas e sinais clínicos |
|---|---|
| Artéria cerebral média (ACM) esquerda (dominante) | Hemiparesia direita - envolvimento variável da face e extremidade superior e inferior Hemihipoestesia direita em um padrão semelhante ao déficit motor - geralmente envolve todas as modalidades sensoriais,aestereognosia e agrafestesia, confusão esquerda-direita • Hemianopsia homônima direita • Disartria • Afasia, fluente e não fluente • Alexia, Agrafia, Acalculia, Apraxia |
| ACM direita (não dominante) | Hemiparesia esquerda - mesmo padrão do que quando à direita Hemihipoestesia esquerda - padrão semelhante ao do déficit motor Hemianopsia homônima esquerda - mesmo padrão da direita Disartria Negligência do lado esquerdo do ambiente Anosognosia Assomatognosia Aprosodia Afeto plano |
| Artéria cerebral anterior (ACA) | Paresia contralateral da perna> Paresia braço Ou fraqueza bilateral nas pernas, se ambas ACAs estiverem envolvidas Abulia, desinibição, disfunção executiva Em alguns casos, mutismo acinético se houver infarto bilateral da cabeça do caudado |
| Artéria cerebral posterior | As síndromes mais comuns envolvem o lobo occipital, o lobo temporal medial ou tálamo Lobo occipital: • Hemianopsia homônima contralateral • Cegueira cortical (lesões bilaterais) Lobo temporal medial: • Déficits na memória de longo e curto prazo • Alteração de comportamento (agitação, raiva, paranóia) Infarto talâmico: - Perda sensorial contralateral - Afasia (se houver envolvimento do lado dominante) - Disfunção executiva - Diminuição do nível de consciência - Comprometimento da memória |
| Síndromes de tronco encefálico | Há muitas síndromes vasculares de tronco cerebral • Algumas das características clínicas encontradas são: - Achados sensoriais cruzados (por exemplo, face ipsilateral e dormência corporal contralateral) - Achados motores cruzados (face ipsilateral, corpo contralateral) - Nistagmo evocado pelo olhar - Ataxia e vertigem, dismetria de membros - Diplopia e anormalidades dos movimentos oculares - Disartria, disfagia - Desvio de língua - Surdez (muito rara) - Síndrome do encarceramento (locked-in) (não consegue mover nenhum membro, não consegue falar, às vezes pode piscar) |
| Infarto mesencefálico | • Paralisia ipsilateral do terceiro nervo • Hemiparesia contralateral do braço e perna, às vezes com paralisia hemifacial; • Hemiataxia contralateral |
| Infarto pontino | Sinais ipsilaterais: • síndrome de Horner • paralisia do sexto ou sétimo nervo (diplopia, todo o rosto está fraco) • Perda auditiva (rara) • Perda de dor e temperatura sentido Sinais contralaterais: • Fraqueza na perna e no braço • Perda da sensação no braço e perna Nistagmo, náusea |
| Infarto bulbar | Sinais ipsilaterais: • fraqueza na língua • Perda sensorial na face • síndrome de Horner Ataxia • Fraqueza do palato (disfagia) Sinais contralaterais: • Fraqueza, perda sensorial no braço e perna Náusea, nistagmo, disfagia, disartria |
| Infarto cerebelar (Artéria cerebelar superior (ACS), Artéria cerebelar inferior anterior ou posterior (AICA ou PICA)) | • Ataxia, vertigem, náusea, vômito, disartria • Muitas vezes dor de cabeça e nistagmo • Também pode ter rápida deterioração no nível de consciência |
| Perna posterior da cápsula interna (síndrome lacunar) | Síndrome motora pura |
| Tálamo (síndrome lacunar) | Síndrome sensitiva pura |
| Junção tálamo-capsula | Síndrome sensitivo-motora (sem déficits corticais) |
| Coroa radiata | Hemiparesia-ataxia (ataxia hemiparética) |
| Ponte, coroa radiata, cápsula interna | Disartria-mão desajeitada (dysartria-clumsy hand) |
SÍNDROME DAS PERNAS INQUIETAS ou DOENÇA DE WILLIS-EKBON
1. Informações fundamentais (conceitos)
A síndrome das pernas inquietas (SPI), ou doença de Willis-Ekbom, é uma condição neurológica comum, caracterizada por um desejo irresistível de se mover, acompanhado por desconforto sensorial, predominando nos membros inferiores, nos momentos de repouso ou à noite.
2. Fisiopatologia
Neuroanatomicamente, parece haver envolvimento de estruturas como áreas corticais e espinhais, núcleos talâmicos (de diversas modalidades sensitivas), centros motores extrapiramidais (núcleos da base), córtices límbicos e cerebelo.
A sua fisiopatologia toma forma no nível farmacológico elementar, incluindo os sistemas dopaminérgico e ferro; no nível orgânico, incluindo os sistemas arterial e nervoso periféricos; e no nível molecular e genético, incluindo proteínas relacionadas a sensibilidade a oxigênio e outras vias genéticas.
Estudos de neuroimagem funcional do sistema dopaminérgico demonstraram inicialmente baixo potencial de ligação ao receptor D2 de dopamina no estriado, mas os achados têm sido contraditórios nos estudos cintilográficos. Esses estudos mostraram tanto aumento quanto diminuição de ligação ao transportador de dopamina. Isso é interpretado como um sinal de hipervariabilidade circadiana dos níveis de dopamina.
Estudos post-mortem mostram níveis reduzidos de beta-endorfina e meta-encefalina nos tálamos de pacientes com SPI, e um dos modelos animais de SPI utiliza o knock-out do gene do receptor mu-opióde, achados que também implicam esse sistema na gênese dos sintomas.
Hiperatividade glutamatérgica também tem sido implicada na gênese do estado de hiperalerta, aumentando a excitação tálamo-cortical, e demonstrada por estudo de espectroscopia de prótons.
3. Diagnóstico e critérios diagnósticos
O sintoma principal, que dá nome à condição, consiste em um desejo inescapável de se mover, muitas vezes acompanhado de desconforto sensorial2. Há agravamento dos sintomas à noite, ou durante inatividade e ocorre alívio com movimento. Como resultado o sono é importantemente perturbado, e sintomas neuropsiquiátricos como depressão, impulsividade e dificuldades com tomada de decisão são identificáveis.
Os critérios diagnósticos foram revisados recentemente:
(1) Um desejo de mover as pernas geralmente, mas nem sempre, acompanhado ou sentido como causado por sensações desconfortáveis e desagradáveis nas pernas;
(2) O desejo de mover as pernas e quaisquer sensações desagradáveis acompanhantes começam ou pioram durante os períodos de repouso ou inatividade, como quando deitado ou sentado;
(3) O desejo de mover as pernas e quaisquer sensações desagradáveis acompanhantes são parcialmente ou totalmente aliviados pelo movimento, como andar ou alongar, pelo menos enquanto esta atividade persistir;
(4) O desejo de mover as pernas e quaisquer sensações desagradáveis acompanhantes durante o repouso ou a inatividade só ocorrem à noite ou ou são piores à noite;
(5) As ocorrências das características acima não são contabilizadas apenas como sintomas primários para outra condição médica ou comportamental (por exemplo, mialgia, estase venosa, edema da perna, artrite, cãibras nas pernas, desconforto posicional, toque habitual no pé).
DOENÇA DE HUNTINGTON
1. Informações fundamentais (conceitos)
A doença de Huntington (DH) é uma doença neurodegenerativa progressiva hereditária caracterizada por transtornos do movimento, problemas comportamentais e demência. É causada por uma expansão da repetição do trinucleotídeo citosina-adenina-guanina (CAG) no gene da huntingtina (HTT/IT5) no cromossomo 4p, com herança de padrão autossômico dominante. A prevalência mundial de DH é de 2,7 casos por 100.000 habitantes. A idade de início varia da infância até a oitava década, mas é mais comum na meia-idade. O diagnóstico antes dos 20 anos de idade é considerado DH juvenil, ou a variante Westphal da DH.
2. Fisiopatologia
A patologia envolve principalmente o sistema nervoso central (SNC), com atrofia do caudado e do putâmen (neoestriado), onde é mais proeminente. No nível celular, os agregados de proteína huntingtina são citoplasmáticos e nucleares. A fisiopatologia da perda de neurônios não é completamente compreendida. Acredita-se que a proteína huntingtina se torne tóxica com a expansão CAG (com "ganho de função"), mas continua a cumprir uma função crítica para a sobrevivência neuronal no início do desenvolvimento.
A idade de início é fortemente influenciada pelo número de repetições CAG no gene da huntingtina.
3. Diagnóstico e critérios diagnósticos
A coreia é uma característica fundamental da DH e o sintoma que a define no momento do diagnóstico, na maior parte das vezes. A coreia é caracterizada por movimentos breves, abruptos, aleatórios, imprevisíveis, involuntários e não estereotipados, que fluem de uma parte do corpo a outra, envolvendo a face, tronco e membros.
São sinais clínicos clássicos: hipotonia, reflexo tendinoso do tipo hung-up, sinal da ordenha (milk-maid sign), e impersistência motora. Há aumento da latência de sácades mesmo em fases iniciais, pré-clínicas.
Um grupo de trabalho da Movement Disorders Society publicou recentemente uma proposta para novos critérios diagnósticos para 3 categorias de doença de Huntington, incluindo doença de Huntington manifesta, doença de Huntington pré-sintomática e doença de Huntington prodrômica.
O período proposto como “DH pré-manifesta” ocorreria antes do início de sintomas diagnosticáveis, e inclui tanto o período de “DH pré-sintomática”, quando não há características clínicas detectáveis, e o período de" DH prodrômica", quando há mudanças sutis na função motora e cognitiva (e muitas vezes também em aspectos psiquiátricos), com consequentes mudanças sutis nas habilidades funcionais. Durante o período que foi chamado de "DH manifesta", as características motoras e cognitivas progridem e as capacidades funcionais diminuem.
4. Achados complementares
A característica mais marcante e conhecida é a atrofia da cabeça do caudado, na ressonância magnética. Há também, no entanto, perda proeminente de volume putaminal bem observável na morfometria, especialmente em pacientes mais jovens. A combinação de ambas as atrofias resulta no alargamento dos cornos frontais dos ventrículos laterais, muitas vezes dando-lhes uma configuração semelhante a uma "caixa.
O alargamento dos cornos frontais pode ser quantificado com medidas de:
- razão entre largura do corno frontal e distância intercaudados;
- razão entre distância intercaudados e largura da tábua óssea interna;
Em alguns casos, os núcleos da base podem apresentar hipossinal T2 e blooming na sequência SWI, a depender do grau de deposição de ferro.
Há perda generalizada de volume cortical, acima do esperado para a idade.
HEMICRANIA PAROXÍSTICA
1. Informações fundamentais (conceitos)
A hemicrânia paroxística (HP) foi relatada pela primeira vez em dois pacientes por Ottar Sjaastad e Inge Dale em 1974. Os casos iniciais foram caracterizados por cefaleias diárias durante anos, sem remissão, e a condição foi denominada "hemicrania paroxística crônica". Posteriormente, ficou claro que nem todos os pacientes experimentaram um curso crônico e ininterrupto; em alguns pacientes, episódios de cefaléia distintos foram separados de episódios de remissão prolongada.
2. Fisiopatologia
Similar às outras cefaleias trigeminais-autonômicas. A descrição do extravasamento de proteínas plasmáticas para a dura-máter do rato após estimulação do gânglio trigêmeo levou à sugestão de que esta forma de inflamação neurogênica pode ser parcialmente responsável pela manutenção da dor de cabeça nas síndromes neurovasculares primárias, como a hemicrania paroxística. O extravasamento de proteínas plasmáticas pode ser bloqueado pela indometacina, assim como a a liberação de óxido nítrico.
3. Diagnóstico e critérios diagnósticos
Os pacientes geralmente apresentam ataques de dor unilaterais, breves e intensos associados a características autonômicas cranianas que se repetem várias vezes ao dia. A cefaleia da hemicrania paroxística é estritamente unilateral, está mais frequentemente na distribuição oftálmica do trigêmeo (V1). A dor de cabeça geralmente dura de 2 a 30 minutos, mas pode durar até duas horas. As crises tendem a ocorrer com alta freqüência, variando de 1 a 40 por dia.
Ataques de hemicrania paroxística geralmente ocorrem em associação com características autonômicas cranianas ipsilaterais. Lacrimejamento, injeção conjuntival, rinorréia, congestão nasal, ptose ou rubor facial freqüentemente acompanham a cefaléia. Edema palpebral, sudorese facial ou frontal, plenitude aural, edema aural, miose ou midríase são relatados com menos frequência
O diagnóstico é confirmado por uma resposta ótima a um teste terapêutico com o anti-inflamatório indometacina.
4. Achados complementares
Sugerimos a realização de RM de encéfalo para todos os pacientes com suspeita de hemicrania paroxística, com o objetivo de excluir uma lesão cerebral estrutural, especialmente de neoplasias (adenomas, por exemplo) de hipófise.
5. Tratamento
A hemicrânia paroxística responde de maneira dramática e absoluta à indometacina. A dose inicial de indometacina é de 75 mg por dia dividida em três doses (ou seja, 25 mg três vezes ao dia). A dose de indometacina deve ser aumentada para 150 mg por dia (em três dosesde 50 mg) por 3 a 10 dias, se não houver resposta ou resposta parcial à dose inicial após três dias. A dose deve ser aumentada para 225 mg diários em três doses divididas (75 mg 3x/dia) por 10 dias para respondedores parciais se suspeita clínica de hemicrania paroxística for alta.
A indometacina parece normalizar os níveis de óxido nítrico e de peptídeo intestinal vasoativo (VIP) nos gânglios eferentes parassimpáticos cranio-faciais.
6. Referências:
Sjaastad O, Dale I. Evidence for a new (?), treatable headache entity. Headache 1974; 14:105.
Dodick D. Hemicrania continua: diagnostic criteria and nosologic status. Cephalalgia 2001; 21:869.
Zidverc-Trajkovic J, Pavlovic AM, Mijajlovic M, et al. Cluster headache and paroxysmal hemicrania: differential diagnosis. Cephalalgia 2005; 25:244.


